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:: LOBO DO MAR
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CAPITÃO DE LONGO
CURSO
ANDRÉ SABATIÉ FONSECA
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Nascido em 11 de abril de 1923, André Sabatié Fonseca passou a infância
respirando ares marinhos.
Nessa época, seu pai, Augusto Guimarães Fonseca, era
Comissário da Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro. No auge da adolescência,
empurrado pela vontade de conhecer novos horizontes, André fez um
curso que abordava, entre outros temas, marinharia, arte naval e
noções sobre navegação.
O curso, ministrado por Oficiais da Marinha do Brasil,
tinha o exame final realizado na Capitania dos Portos do Rio de
Janeiro.
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O
Aprendizado
Aos 16 anos, de posse da carta de Praticante de Piloto, iniciou
a procura por uma empresa de navegação que lhe desse a oportunidade
de embarcar.
Seu ingresso na Marinha Mercante foi no navio a vapor
Atlântico, de propriedade da empresa de navegação Mayrink Veiga
S/A.
Durante sua praticagem, fez de tudo a bordo, menos
o que mais queria: navegar. Naquela época, era costume os comandantes
terem seus próprios instrumentos e cartas para navegar, os quais
eram guardados em seus camarotes, como se fossem segredos de Estado.
André ficou decepcionado com o tratamento dado à tripulação. As
refeições somente melhoravam de qualidade aos domingos.
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Deixou o Atlântico para embarcar em um dos rebocadores da empresa.
Em uma viagem, avistou, na Costa de Santa Catarina,
um submarino alemão, cuja tripulação, em sua maioria composta de
jovens marinheiros, aproveitava o “mar de almirante” para tomar
banho de sol. Barcos pesqueiros aproximavam-se do submarino para,
possivelmente, abastecê-lo de rancho. Chegando ao Rio de Janeiro,
o fato foi comunicado à Capitania dos Portos.
Estava havia cerca de um ano na praticagem e, não vendo
chance de exercitar o que aprendera, e o que sempre sonhara fazer,
já começava a se desiludir.
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Em uma visita à Capitania, encontrou-se com um comandante aposentado
da Marinha Mercante. André contou seu drama ao comandante, e este,
após ouvi-lo atentamente, convidou-o a conhecer o Sindicato, cuja
sede situava-se nas proximidades da sede da Capitania. Sem nunca
ter visitado o Sindicato, o jovem Praticante Sabatié teve contatos
com outros companheiros de profissão, o que fez com que se reacendesse
sua esperança.
O comandante, cujo nome era Waldemir ou Waldemiro,
afeiçoou-se por André, e o presenteou com um sextante, tábuas de
navegação e cadernos de cálculos.
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Renovado em suas expectativas, André começou a freqüentar assiduamente
o Sindicato, mantendo contato com pilotos mais experientes, que
o ajudavam no esclarecimento de dúvidas sobre atividades como cálculo
de posições astronômicas e suas correções.
A
carreira
Em 1941, André ingressou na Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro,
pela qual embarcou no navio Carioca. Depois, passou pelo navio Almirante
Alexandrino, utilizado para o transporte de tropas.
Dois anos mais tarde, preparou uma derrota e apresentou-a,
na chamada “Escolinha Wallita”, ao Comandante Jonas Parede. A defesa,
em exame oral, resultou em aprovação e rendeu a André a Carta de
Segundo Piloto.
Depois de passar por diversas embarcações da empresa,
voltou à escola em 1949, para melhoria da Carta. Como Primeiro Piloto,
embarcou no navio Lloyd Brasil, sob o comando do Comandante Paulo
Elias Cabrera. Foi no Lloyd Brasil que André sentiu-se realmente
realizado como piloto. O comandante fora acometido de uma crise
de asma. André então adentrou ao Porto de New York, sem radar e
debaixo de forte cerração, provocada pela baixa temperatura.
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Foi designado pelo Conselho Nacional do Petróleo, em 1950, para
tripular os navios da Frota Nacional de Petroleiros.
Sem experiência neste tipo de navio, viajou à Suécia,
para embarcar no navio-tanque Bittencourt Sampaio, que estava em
construção. Esse navio, comandado pelo CLC Pires Reis, saiu do dique,
com destino a Curaçao, totalmente lastrado.
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Os tripulantes, inexperientes em navios petroleiros, “pegaram tempo”
para conseguir deslastrá-lo, até descobrirem que o sentido de abertura
e fechamento de válvulas estava invertido. Os aprendizados obtidos
no Bittencourt Sampaio foram aplicados no navio navio-tanque Amazonas,
que se achava em construção no mesmo estaleiro.
Em 1952, André fez curso para Capitão de Cabotagem
e, depois de receber a Carta, foi requisitado pelo CLC César Lins,
para imediatar o navio-tanque Espírito Santo, em construção na Suécia.
Neste navio, o CCB André Sabatié teve liberdade total para requisitar
sua equipe de convés. Realizada a viagem inaugural, desembarcou
em Belém para comandar o navio-tanque Salt 57.
Comandante
grevista
Sua primeira experiência como grevista deu-se em 1953,
no movimento para atualização de salários.
André classifica a greve de 1962, a chamada "greve
da paridade", como a mais importante, não só pelo motivo da paralisação,
mas também pela existência de indícios de movimentos revolucionários
no país.
Naquela oportunidade, às vésperas do Natal, o navio
mal acabara de fundear na Baía de Guanabara quando foi ocupado por
oficiais da Marinha do Brasil, desembarcando do navio os oficiais
mercantes, aí incluído o Comandante Sabatié, que foi convidado a
prestar depoimentos no Ministério da Marinha. Desde então, o Comandante
Sabatié, sempre se fez presente e atuante, nos movimentos grevistas.
Em 1955, fez curso para Capitão de Longo Curso, passando
a comandar navios de Longo Curso, como os navios-tanque Guaporé
e Goiânia e o VLCC Presidente Washington Luiz.
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Lembrando das dificuldades encontradas em seu início de carreira,
o CLC Sabatié sempre acolheu seus praticantes com o maior carinho
e, com sua tripulação, dispensou grande atenção ao aprimoramento
do seu aprendizado, transmitindo-lhes os conhecimentos náuticos
adquiridos ao longo de sua vida no mar.
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Sempre cobrou de sua tripulação o cumprimento dos deveres
e tarefas a eles atribuídos; em contrapartida, sempre saiu em defesa
dos direitos daqueles que cumpriam com sua obrigações.
Lembra com carinho de alguns “alunos” como Jorge Chaves,
Ronaldo Cevidanes, Waldir Fuzyiama, Calenzo, Malafaia, André Luiz,
Duarte.
Acidente
inesquecível
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O abalroamento do navio-tanque Horta Barbosa pelo navio de bandeira
coreana Sea Star, na madrugada do dia 19 de dezembro de 1972, nas
proximidades do Golfo Pérsico, foi uma experiência marcante para
o CLC Sabatié.
Naquela oportunidade, o navio, sob seu comando, estava
com as baleeiras destruídas, a popa em chamas e a proa com um rasgo
no costado.
O CLC Sabatié deu ordens para a tripulação abandonar
o navio, depois de ordenar a emissão de sinais de socorros convencionais
de SOS.
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Ele permaneceu a bordo acompanhado de alguns tripulantes que optaram
por continuar com o comandante até a chegada de socorro.
Aposentado pela Fronape, em 1991, não conseguiu viver
afastado dos navios e dos mares, suas grandes paixões: retornou
para a empresa, na qual continuará comandando os navios "enquanto
tiver forças para subir a bordo".
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