
O Sindmar recebeu nesta segunda-feira, 3 de agosto, representantes de entidades médicas para um intercâmbio de conhecimentos sobre os desafios da saúde dos trabalhadores embarcados.
Participaram da reunião o assessor de medicina marítima da Conttmaf, Augusto Paulo Marques Linhares Pinto, o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Marítima e Hiperbárica (SBMH), Marcus Vinícius de Moraes, e integrantes da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (ABMT).
A iniciativa aproximou os especialistas da rotina a bordo e reforçou a relevância da cooperação entre o movimento sindical e a comunidade científica para subsidiar políticas voltadas à saúde da gente do mar.
Em pauta, estiveram temas como riscos ocupacionais, fadiga, saúde mental, envelhecimento das tripulações, regime de trabalho, alimentação, insalubridade, periculosidade e requisitos de exames médicos.
Ao destacar os desafios atuais da profissão, o presidente do Sindmar e da Conttmaf, Carlos Müller, observou que a saúde mental dos marítimos vem ocupando espaço crescente na agenda sindical, diante do aumento dos casos de adoecimento psíquico e das transformações no mundo do trabalho.
Essa preocupação também se reflete na atualização da NR-1, que reforça a gestão dos riscos psicossociais nos ambientes laborais.
“O adoecimento psíquico aumentou e, hoje, o movimento sindical já discute abertamente temas antes considerados tabu, como bullying e assédio. Nesse contexto, o shore leave [direito de o marítimo baixar terra no porto], por exemplo, é algo essencial. O marítimo precisa ter contato com realidade diferente do trabalho. Isso faz parte da preservação da saúde mental”, observou Müller.
De acordo com Nadja de Souza Ferreira, diretora científica da ABMT, compreender as especificidades da vida no mar é pré-requisito para que os profissionais de saúde ofereçam um atendimento mais assertivo.
Ela destacou que a entidade prepara um curso de aperfeiçoamento em medicina marítima e hiperbárica (aplicada a profissionais que atuam em operações de mergulho e apoio offshore) com o objetivo de capacitar médicos para as diversas realidades do setor.
“Queremos que o médico seja capaz de entender não só a saúde física, mas também a saúde mental do trabalhador, reduzindo o sofrimento associado à atividade”, afirmou a médica.
Nadja apontou também que o Sindmar tem desempenhado papel decisivo ao conectar especialistas e instituições comprometidas com a melhoria das condições de trabalho no setor aquaviário.
